Video 27 May

Berlin - deserto urbano re-nasce das cinzas
A cosmopolita capital alemã é dura e quadrada.
Entender Berlin começa por sua arquitetura. Numa cidade em que o urbanisnmo sofreu tamanhas modificações ao longo de sua história,  os prédios falam mais do que as pessoas. As ruas ecoam um ar de reconstrução, um senso de novidade. Isso porque Berlin vem se reconstruindo. Escombros de eras negras são cobertos por fachadas mais amigáveis. Placas de cimento para enterrar passados esquecidos. E não apenas do nazismo. Berlin é a cidade de todos. O período da Guerra Fria foi cruel com a cidade. Esquartejada em quatro, as migalhas que restaram sofreram inúmeras influências culturais em tempos de tensão. É a cidade de ninguém. Berlin ainda me parece que tenta se encontrar, construir uma identidade, uma unidade. Tema polêmico no berço de conceitos tão pouco inclusivos como os sustentados pelo partido nacional-socialista, berço do nazismo, como o anti-parlamentarismo, o pangermanismo, o racismo, a eugenia, o antissemitismo, o anticomunismo e o totalitarismo.
Por isso também Berlin me parece perdida, inóspita, quase um deserto urbano. Com a queda do regime e o fim das duas WW, perdeu-se este caráter totalitário, mas nada foi construído no lugar. Berlin é um mosaico à procura da reunificação.
A cidade tem crescido, cada vez mais pessoas tem se interessado em morar em Berlin, especialmente por conta da economia saudável. Acredito que de agora em diante a cidade passará a assumir um rosto próprio. Um rosto sem medo. Há uma sensação de medo de ser, de se assumir. Assim como a arquitetura, é preciso penetrar muito para entender as pessoas.
Normalmente, eu sou contra esse tipo de atividade, por ser abarrotada de turistas chato, mas abri uma exceção e não me arrependo. Fiz uma walking tour em inglês com duração de 4 horas, guiada por um arqueólogo ex-britânico, que morava na cidade há anos (www.insidertour.com). Em Berlin é preciso um guia, pois você pode passar por prédios interessantíssimos e não saber seu significado. E são muitos os prédios e seus significados.
Desde o regime de Frederick, o Grande, rei da Prússia até 1786, a região de Berlin tem uma queda pela grandiosidade. Disse o guia que em determinada praça de Berlin havia o maior palácio da época - destruído e reconstruído a cada troca de regime, sempre maior e maior. Hoje em dia trata-se de um grande espaço gramado aberto. 
Checkpoint Charlie é certamente um dos lugares que melhor simboliza a tensão durante o período da Guerra Fria - trata-se do mais famoso ponto de cruzamento entre os lados oriental e ocidental da cidade. Também icônica é o trecho do Muro de Berlin chamado East Side Gallery, um verdadeiro mural à liberdade, em que dezenas de artistas pintaram suas visões.
Mas é a herança judaica que mais me impressionou. O Jewish Memorial é uma das obras de arte que mais me impressionaram. São  inúmeros pilares enfileirados, de diversas alturas, que recriam a sensação de estar perdido, sem horizonte, sem luz, sozinho, em meio a algo que não se entende e que te carrega para não se sabe onde. Nos pontos mais profundos, não se sabia ir para a direita ou a esquerda - um labirinto cinza. Este é o propósito da arte: tirar do lugar-comum, reposicionar, causar reflexão. Nada que já vi cumpre este papel tão bem. É um manifesto.
Por seu papel na história ocidental, acredito que visitar Berlin é um dever de qualquer pessoa que queira entender melhor o mundo onde estamos.

Photo 26 May 3,218 notes

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Photo 26 May 2,259 notes

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Quote 22 May
Chaos often breeds life, when order breeds habit
— Henry B. Adams (1838-1918), American historian.
Photo 20 May Olhar

Invejei o jeito como a olhava - havia algo de amor fresco e jovem, uma atenção constante e carinhosa. Algo que há muito eu não sentia e que agora novamente se apresentava, embora não diante de mim, mas de outra garota. N´outro tempo, eu era aquela garota. N´outro tempo, aqueles olhos eram meus e me faziam sua. Não falo de um amor de esquina, banal e barato. Mas sim de um amor ingênuo, transparente e presente. Um olhar que transborda, intenso e calmo e fiel. Atento. Seus ouvidos juvenis acolhiam honestamente as palavras tão cotidianas dela! Quisera eu saber o sabor daquele olhar novamente, daqueles lábios hoje ausentes.
Meus velhos olhos já não sentem mais tal intensidade, a mesma facilidade de olhar e serem vistos. Ver é complicado quando já se viu demais. É rara a visão fina e delicada que perpassa a aparência. É sempre rara a delicadeza do olhar. 

Olhar
Invejei o jeito como a olhava - havia algo de amor fresco e jovem, uma atenção constante e carinhosa. Algo que há muito eu não sentia e que agora novamente se apresentava, embora não diante de mim, mas de outra garota. N´outro tempo, eu era aquela garota. N´outro tempo, aqueles olhos eram meus e me faziam sua. Não falo de um amor de esquina, banal e barato. Mas sim de um amor ingênuo, transparente e presente. Um olhar que transborda, intenso e calmo e fiel. Atento. Seus ouvidos juvenis acolhiam honestamente as palavras tão cotidianas dela! Quisera eu saber o sabor daquele olhar novamente, daqueles lábios hoje ausentes.
Meus velhos olhos já não sentem mais tal intensidade, a mesma facilidade de olhar e serem vistos. Ver é complicado quando já se viu demais. É rara a visão fina e delicada que perpassa a aparência. É sempre rara a delicadeza do olhar. 

Video 20 May

Ah, férias! Vai para a vida, garota. Go get what you deserve after all the hard work. 
2012 começou sem reveillon, mas já teve tudo e mais um pouco. E só se passaram 05 meses! Cinco meses que já valeram o ano.   Retrospectiva e expectativa.
Doce Abril 
Outono trouxe minhas férias. Ou melhor, a primavera. Mais gelada do que imaginava, vi a primavera européia de perto em seis cidades apaixonantes - Londres, Berlin, Praga, Budapeste, Roma e Amsterdam.
Londres - o começo, o meio e o fim
Em minha segunda vez pela cidade, revi alguns pontos apaixonantes - a paisagem da London Eye, o Big Ben ao cair da tarde, o reflexo da Tower Bridge no River Thames ao sol de um dia gelado, a pele envidraçada do Gurkin duplicando a cidade dos meus sonhos, a National Gallery, para respirar um pouco de inspiração, o Tate Modern, para transpirar à frente de tanta inspiração! Mas é o dia a dia que me encanta, das linhas de metrô, dos ônibus, do coração global de Londres, que me encanta. Entre notórios e negligenciados lugares e pontos especiais, passei 2 semanas na cidade que eu amo, ao lado da mais agradável companhia.
No Tate Modern acompanhei a nova exposição do tão polêmico Damian Hirst, que merece um post independente. Menos pop e não menos interessante, o Museu do Design é uma galeria que muitas vezes é esquecida na agenda apertada do turista, mas que me impressionou pelo vanguardismo - que era esperado desta cidade. Gostei muito e recomendo a visita.
Dessa vez, conheci o lado caseiro de Londres, a Londres das pessoas normais, dos supermercados, das mães e seus bebês, das idas e vindas dos trens com atrasos insuportáveis de segundos. A Londres do sol. De uma tarde de sábado no Camden Market, com chuva e churros. De um dia de domingo na National Gallery, entre Monets e VanGoghs, livrarias e comida mexicana. De crepes de chocolate e caminhadas por bairros charmosos, por entre casas de tijolos vermelhos, jardins de inverno, portas e janelas e chás da tarde. A Londres de quem é meio turista e meio cidadão, que mantém o olhar flaneur da novidade, mas caminha com precisão.
Começo e fim de minha jornada de férias, Londres é para mim a melhor cidade da Europa. Há algo de pulsante em seu constante acordar por entre monarquias, poderes e permanências, em suas pessoas e passagens. A cidade que é minha, de múltiplos passados, de muitos futuros. Do meu futuro?

Photo 18 May
Photo 16 May Kairos X Chronos

O tempo de um e o tempo de outro. Um  tempo que modifica e constrói. Que encontra o que é meu e o que sou eu. Um tempo de respostas. Não o ontem. Não o amanhã. O presente. Que fala, grita, ecoa e me faz reverberar. Um tempo que fica, permanece, flui, dinâmico e fiel. Um tempo meu, pleno e farto. Um tempo de ser. Fora de padrões e fora de hora. Além do limite dos ponteiros. Atemporal e por isso eterno.

Kairos X Chronos


O tempo de um e o tempo de outro. Um  tempo que modifica e constrói. Que encontra o que é meu e o que sou eu. Um tempo de respostas. Não o ontem. Não o amanhã. O presente. Que fala, grita, ecoa e me faz reverberar. Um tempo que fica, permanece, flui, dinâmico e fiel. Um tempo meu, pleno e farto. Um tempo de ser. Fora de padrões e fora de hora. Além do limite dos ponteiros. Atemporal e por isso eterno.

Photo 4 May 830 notes workisnotajob:

‎”Walk with the dreamers, the believers, the courageous, the cheerful, the planners, the doers, the successful people with their heads in the clouds and their feet on the ground. Let their spirit ignite a fire within you to leave this world better than when you found it.” - Wilfred Peterson

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‎”Walk with the dreamers, the believers, the courageous, the cheerful, the planners, the doers, the successful people with their heads in the clouds and their feet on the ground. Let their spirit ignite a fire within you to leave this world better than when you found it.” - Wilfred Peterson


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